Dom Edgar avalia o resultado de um ano do Decreto de não comercialização de bebida alcoólica nas comunidades

Em entrevista concedida à equipe de reportagem da Rádio Vicente Pallotti, o bispo da Diocese de Palmas/Francisco Beltrão, Dom Edgar Ertl, falou dos resultados do Decreto da não comercialização de bebida alcoólica nas comunidades. Faz um ano que o mesmo entrou em vigor.

Dom Edgar, já se passaram um ano do Decreto sobre a não comercialização da bebida de álcool nas dependências das igrejas. Que avaliação o senhor faz dessa dinâmica na diocese?
Minha avaliação geral é positiva e satisfatória neste primeiro ano do Decreto sobre o consumo e venda de bebidas alcoólicas em nossa diocese de Palmas/Francisco Beltrão. Ele está dentro de um conjunto de orientações da Igreja Católica do Brasil. Não é um decreto exclusivo da nossa diocese. Obviamente, que muitas dioceses não deram este passo ainda. Estão estudando como será o melhor meio para tornar-se decreto ou portaria. Resistências às novidades sempre foram a forma encontrada por um certo número de pessoas que contrariam as normas diocesana da igreja. É um tema delicado porque mexe com tradições e costumes de longa data. Mas chegou a hora de darmos início e isso aconteceu no ano passado.

O que a sociedade civil tem trazido de retorno para o senhor?
A sociedade civil tem nos dado apoio irrestrito. Cito a Polícia Federal, Civil, Corpo de Bombeiros, Conselho Tutelar e, sobretudo, a Delegacia da Mulher. Temos recebido apoio de uma grande parte da sociedade, de pessoas do bem, pessoas que sabem o quanto a bebida é danosa para as famílias e outras instituições. No sudoeste do Paraná temos um alto índice de acidentes causados pelo consumo de bebidas alcoólicas, nos fins de semana. Temos gravíssimos problemas de agressão física por parte dos esposos. É lamentável ouvir das esposas e filhos quando dizem que o agressor bebe nos espaços da igreja, o que chamamos de bodegas. As bodegas de nossas comunidades são destruidoras de nossos lares. Em nenhum lugar do mundo se pratica qualquer espécie de esportes consumindo bebidas alcoólicas. Por que, então, nestes salões, nas canchas de bochas faz-se necessário o consumo de bebidas? A igreja promove a vida segundo o Evangelho de Jesus Cristo. Com certeza que aos poucos vamos conseguir organizar melhor a vida das canchas de bochas e outros jogos, sem bebida. As famílias agradecerão quando perceberem que seu pai ou outro retorna da comunidade sóbrio. 

Existem comunidades/conselhos resistentes a essa norma o que o senhor tem orientado os padres nesse sentido?
Neste primeiro ano de nosso decreto temos um grupo significativo de comunidades que não aderiram ainda à decisão diocesana. São comunidades do interior. Nas igrejas matrizes está ótimo. Verdade que alguns ainda levam bebidas alcoólicas para o consumo próprio, às vezes até fazendo provocações medíocres. Paciência. Temos então, estas comunidades do interior que resistem à decisão. São pessoas membros dos Conselhos. Tenho recomendado aos padres e diáconos que o caminho sempre é o diálogo aberto e objetivo. Assim que muitos sacerdotes chamam os conselhos para uma reunião sobre a festa realizada com bebidas alcoólicas. Tivemos que destituir uns três ou quatro conselhos porque simplesmente não se retrataram da falta de comunhão com a diocese. Outros, pelo contrário, se arrependeram e a vida da comunidade segue de forma maravilhosa. Outros casos mais radicais também foram tomados, lamentavelmente. 

Deixo também minha pergunta. O Evangelho, a Igreja de Jesus Cristo não pode dizer nenhuma palavra às coisas culturais? Minha presença ou ausência à vida da comunidade se mede pelo que posso lá beber? A Igreja Católica não é a única instituição séria que tirou de seus eventos a comercialização e consumo de bebidas alcoólicas. Outras instituições já o fizeram de igual modo. Nossa missão é evangelizar. As resistências que sinto hoje na diocese quanto às bebidas em grande parte dá-se pela baixa consciência cristã e de vivência de fé. Vamos perguntar às mães e filhos que têm um membro da família alcoólatra para ouvirmos o que nos dirão acerca da bebida! Enfim, o caminho prossegue e com fé chegaremos ao final do ano com um número de cem por cento de adesão ao decreto diocesano. É um tema delicado, porém, necessário para o bem das famílias e da sociedade.

Topo