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Campanha de Bolsonaro lembra Chávez, mas democracia brasileira é mais forte que venezuelana, vê analista

23/10/18 08:10

Autor de diversos livros e pesquisas sobre a democracia brasileira, o cientista político americano Matthew Taylor, professor da American University, em Washington D.C, diz que as declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), de que bastariam um “cabo e um soldado” para fechar o Supremo Tribunal Federal (STF) são mais um sinal de “alerta” às instituições democráticas do Brasil.

“Eu acho que esse é um momento de grande alerta para o Brasil e a democracia brasileira. Eu me pergunto até que ponto Eduardo Bolsonaro estava falando seriamente ou se reagiu de forma mais enfática do que gostaria. Mas eu acho que temos, sim, razão para estar profundamente preocupados”, afirmou, em entrevista à BBC News Brasil.

Em vídeo gravado em julho, disponível na internet, Eduardo Bolsonaro aparece numa sala de aula de um cursinho para interessados em ingressar na Polícia Federal, em Cascavel (PR). Ele é perguntado por um aluno sobre o que poderia ser feito caso o STF impugnasse a candidatura ou diplomação do pai dele por fraude eleitoral. Eduardo respondeu, em tom de ameaça, que o tribunal “terá que pagar para ver o que acontece” e argumentou que dificilmente haveria reação popular se um ministro do Supremo fosse preso.

A declaração gerou forte reação entre ministros da Corte. O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, afirmou que “atacar o Poder Judiciário é atacar a democracia”, enquanto Celso de Mello – decano do Supremo – disse que a fala foi “inconsequente e golpista”.

Taylor pondera que o comentário do deputado pode ter sido “irrefletido” e vê como positivo o fato de Jair Bolsonaro ter reagido dizendo que “qualquer um que queira fechar o Supremo precisa ir a um psiquiatra”. Mas o pesquisador americano enxerga semelhanças entre a postura do candidato do PSL à Presidência ao longo da campanha com a adotada por Hugo Chávez e Nicolás Maduro, na Venezuela, embora ideologicamente Bolsonaro e os chavistas estejam em lados opostos. E diz que o Brasil precisa ficar atento a eventuais propostas de mudanças na composição e indicação de membros de tribunais e do Ministério Público.

Por: João Luiz Garcia (Tiguera)
Fonte: BBC/Brasil
Foto: Reprodução



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