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INDIGNADO COM MARKETING PÓS-TRAGÉDIA, FILHO DE CAIO JUNIOR DESABAFA CONTRA O DESCASO DA CHAPECOENSE

06/04/17 08:04

As atitudes da Chapecoense no pós-tragédia seguem sendo desaprovadas por familiares das vítimas do acidente aéreo com o avião da equipe, em novembro de 2016. Matheus Saroli, filho do técnico Caio Júnior, um dos falecidos no desastre, desabafou através da sua conta no Facebook contra o que considera um descaso com as famílias dos 71 mortos no acidente, no período em que o jogo entre Chapecoense e Atlético Nacional foi tratado como ‘festa’ na cidade catarinense.

Através das redes sociais, Matheus afirmou considerar o foco do clube como “triste, absurdo, ridículo e ganancioso” e reclamou sobre o desamparo com os familiares daqueles que participaram do processo de crescimento da equipe, desde a Série D do Brasileirão até a decisão da Sul-Americana, que acabou não acontecendo por conta do acidente no trajeto até Medellín.

“Vamos deixar claro, reconstrução de algo construído única e exclusivamente por pessoas que não estão mais entre nós. Estou falando do presidente, diretor financeiro, diretor de futebol, entre outras pessoas importantíssimas que criaram este projeto do nada anos atrás, e tiraram a Chapecoense de um patamar de clube praticamente inexistente para um time de Série A. Aí então veio o trabalho inesquecível e absolutamente heroico de sua comissão técnica e atletas, que levou o clube ao título de campeão da Copa Sul-Americana 2016. Quem criou esta história, não está mais aqui”, escreveu Matheus Saroli criticando a ‘reconstrução’ da equipe sem dar atenção às famílias das vítimas.

A partida desta terça-feira (5), contra o Atlético Nacional – clube no qual a Chapecoense jogaria a decisão da Copa Sul-Americana e acabou criando um forte laço de amizade pela solidariedade prestada –, pela decisão da Recopa Sul-Americana, vencida pelos catarinenses por 2 a 1, teve direito a feriado em Chapecó e um dia de festa com recepção aos colombianos, “fan fest” e até show pirotécnico. O evento causou desconforto em Matheus, visto que a preocupação do clube se tornou em marketing através da tragédia em vez de amparar os familiares. “Contratação de diretor artístico, patrocínio em carros de corrida, show pirotécnico, salário em dia para os atletas e comissão da tão importante reconstrução do clube”, disse.

O filho do ex-treinador criticou a nova diretoria e a ausência de empatia com as vítimas fatais da tragédia. “Hoje o clube é dirigido por pessoas que não tem ligação com as vítimas. A ligação deles é com o marketing, com a expansão, com o retorno, com a captação e bla bla bla (sic). Impressionante o quanto eles estão preocupados com a reconstrução do clube, que continua vivo, mas não em uma construção de uma imagem de todos os guerreiros que doaram a vida pelo clube. Pela construção de famílias sem pais para filhos pequenos e mães desamparadas, de famílias sem seus filhos e irmãos queridos”, desabafou Matheus.

“Estou aqui protestando apenas como a forma dessa ‘reconstrução emergencial’ está sendo conduzida por pessoas que estão focadas no que, na minha opinião, deveria ser secundário”, finalizou.

A indignação com a postura da Chapecoense no pós-tragédia não é exclusiva da família de Caio Júnior. Recentemente, esposas de jogadores mortos na queda do avião da LaMia reclamaram de abandono e processaram o clube por direitos trabalhistas, que inclui recebimento de premiações e direito de imagem e não apenas os salários.

Confira a postagem na íntegra:

Hoje vou postar sobre um assunto no mínimo inesperado, mas poderia usar outros adjetivos como: triste, absurdo, ridículo, ganancioso, entre outros.
Como já deixei claro em uma entrevista recente, o foco do clube é na RECONSTRUÇÃO. Vide as fotos postadas junto com o texto.

http://espn.uol.com.br/…/675567_foco-da-chapecoense-e-na-su…

Vamos deixar claro, reconstrução de algo construído única e exclusivamente por pessoas que não estão mais entre nós. Estou falando do presidente, diretor financeiro, diretor de futebol, entre outras pessoas importantíssimas que CRIARAM este projeto do nada anos atrás, e tiraram a Chapecoense de um patamar de clube praticamente inexistente para um time de Serie A. Aí então veio o trabalho inesquecível e absolutamente heroico de sua comissão técnica e atletas, que levou o clube ao titulo de CAMPEÃO DA COPA SULAMERICANA 2016. Quem CRIOU esta historia não está mais aqui.

Hoje o clube é dirigido por pessoas que não tem ligação com as vítimas. A ligação deles é com o Marketing, com a expansão, com o retorno, com a captação, e bla bla bla. Impressionante o quanto eles estão preocupados com a RECONSTRUÇÃO do clube, que continua vivo, mas não em uma CONSTRUÇÃO de uma imagem de todos os guerreiros que doaram a vida pelo clube. Pela CONSTRUÇÃO de famílias sem PAIS para filhos pequenos e mãe desamparadas, de famílias sem seus FILHOS e IRMÃOS queridos.

Contratação de diretor artístico, patrocínio em carros de corrida, show pirotécnico, salário em dia para os atletas e comissão da tão importante reconstrução do clube. Minha pergunta é: Será que se o clube tirasse o ano, ou o semestre pelo menos para dar atenção única e exclusiva às vitimas teríamos outro cenário? Teríamos outro tipo de atenção da mídia, visando apenas ajudar os que merecem nesse momento? Teríamos o numero de pessoas necessário para ajudar crianças pequenas com tratamento psicológicos e inúmeras outras situações? Teríamos pessoas para resolver toda questão burocrática envolvendo mais de 50 famílias que até hoje não foram todas resolvidas? Mas não, contratar um diretor artístico para uma festa absurda e um elenco inteiro novo é prioridade da reconstrução.

Gostaria que hoje as pessoas que lessem este post consigam entender o nosso sentimento perante esse acidente raríssimo, que deveria ter sido evitado. Desde o erro na escolha da empresa, até a falta de ações de praxe no meio jurídico como a conferencia da apólice do seguro da empresa de aviação. Isso são detalhes, que não conseguem passar a dimensão do que nós, vitimas, sentimos diante de um acontecimento tão triste e surreal.

Amigos e também vitimas do acontecido que se encontram hoje em Chapecó não conseguem passar o dia em paz. Descreveram com as seguintes palavras “Desespero total ontem e hoje.” “O clima tá estranho.” “Parece Carnaval.”

Também gostaria de chamar atenção para algumas frases e termos sendo usados na FESTA de hoje em Chapecó, e na decisão futebolística que hoje acontecerá aonde os corpos de nossos queridos foram retornados quando vindo da Colômbia.

“Reconstruida, a Chapecoense chega para a partida com cinco vitórias….”
“Saber diferenciar o que é festa, solidariedade, mas é um jogo de futebol, o desejo de vencer a partida.”

FAN FEST (!), SHOW, DIRETOR ARTÍSTICO, SHOWS PIROTÉCNICOS, TRIO ELÉTRICO, FOGOS DE ARTIFÍCIO.

Por fim, espero que fique claro que eu e minha família somos a favor da continuação da Chapecoense, é um clube querido para nós!

Estou aqui protestando apenas como a forma dessa “reconstrução emergencial” está sendo conduzida por pessoas que estão focadas no que, na minha opinião, deveria ser secundário.

Fonte: Banda B Esportes
Foto: Reprodução



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