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Pastoral do Migrante: "Escuta com sabedoria e ensina com a prática"

Com o tema “Migração e Saberes” e o lema é “Escuta com sabedoria e ensina com a prática”, a Igreja do Brasil celebrou de 12 a 19 de junho de 2022, a 37ª Semana do Migrante. Em nossa Diocese de Palmas-Francisco Beltrão a Pastoral do Migrante ainda é uma semente em fase de germinação que vem dando sinais em algumas Paróquias.

Compartilho com você uma reflexão proferida no encerramento da Semana do Migrante da Paróquia São Roque de Coronel Vivida, do Dr. Mario Ortiz Hurtado, médico peruano, que vive no Brasil há mais de 20 anos.

Dr. Mario Ortiz Hurtado

“Para onde você vai quando não tem para onde ir? Em tese, você volta para casa. Mas se tua casa não está mais lá. E aí, o que você faz? Por um acaso a sua casa foi destruída, seja por um desastre natural, um terremoto ou furacão? Ou talvez por um conflito armado, uma guerra, como está ocorrendo no leste europeu. Muitas vezes a tragédia não é natural, mas humana, algo provocado por questões políticas. Isso faz uma família sair de modo obrigado do próprio lar. Tem que abandonar a sua casa, a terra, o país. Ser obrigado a sair e correr atrás de um sonho de uma condição de vida melhor. São forçadas a sair para sobreviver.

O mundo, neste momento, vive em tempos conturbados com vários conflitos armados ocorrendo e várias crises migratórias também. Aqui perto de casa, em nosso quintal, ou seja, em nosso Continente Latino Americano, desde o sul ao norte da América existem correntes migratórias. Essas correntes migratórias não estão evidentes na imprensa. Mas tem milhares de pessoas sendo forçadas a saírem de suas casas todos os dias.

Muitos desses países fazem fronteira com o Brasil. Tem muitas pessoas abandonando seus lares e vindo para o Brasil. Aqui no Brasil todos nós temos nos deparado com pessoas que migraram para cá. Tem passado por todo esse processo doloroso de abandonar seu lar e família. Vem buscando condições ao menos de um trabalho digno e através do qual reunir algum dinheiro para trazer também suas famílias.

Hoje eu não quero falar de mim. Eu sou vividense há mais de cinco anos, mas estou no Brasil há mais de 20 anos. Quando vim, talvez não foi tão forte essa realidade, porque já trouxe um diploma de médico. No entanto, eu quero falar por aquelas pessoas que estão por aqui recentemente e que talvez não falam a língua portuguesa. Eu já estou bem agora e passei por tudo isso. Hoje eu posso ajudar, mas penso naquelas pessoas que não conseguem se comunicar e precisam de alguma ajuda. Muitos delas não imaginavam que no sul do Brasil faz muito frio no inverno, pois vieram de países tropical. E não tem agasalhos suficientes para passar nesse tempo frio. As vezes as casas onde conseguiram para morar não traz dignidade. Alguns nem sabem falar para pedir ajuda. Queria que a comunidade olhasse para o lado onde tem algum migrante perguntasse: como posso te ajudar? Partilhar aquilo que você não esteja usando e está sobrando em casa. Direcione para o trabalho maravilhoso da Pastoral do Migrante.

Também queria que a comunidade olhasse de outra forma para aquele migrante que passa pelas ruas, às vezes, caminhando sem sentido e buscando, talvez, um prato similar ao do seu país. Enfim, para essas pessoas, quem sabe, eu esteja dando uma voz e quem puder ajude. Obrigado! ”.

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