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“Durante quarenta dias”

Na tradição bíblica, “quarenta dias” se refere a um período suficientemente longo de tempo, um tempo alongado e necessário/favorável/propício para o cumprimento de tal finalidade como “quaresma”, “quarentena” – o número é simbólico. Alguns exemplos bíblicos para fundamentar a tese acima apresentada:

Moisés, durante o Rito da Aliança “entrou na nuvem e subiu ao monte, e aí ficou durante quarenta dias e quarenta noites” (Ex 24,18). Noutra passagem lemos: “Moisés ficou aí com o Senhor quarenta dias e quarenta noites: não comeu pão nem bebeu água, e escreveu nas tábuas as cláusulas da aliança, os dez mandamentos” (Ex 34,28). No seu itinerário o profeta Elias, dirigindo-se ao Monte Horeb, toca os seus limites da existência, quase desistindo da missão, ouviu do Senhor: “Levanta-te e come! O caminho é superior às tuas forças. Elias levantou-se, comeu e bebeu, e com a força desse alimento caminhou quarenta dias e quarenta noites até o Horeb, o monte de Deus” (1Rs 19, 7b-8).

Jonas foi entrando na cidade [Nínive] e caminhou um dia inteiro, anunciando: “Dentro de quarenta dias Nínive será arrasada! Os ninivitas creram em Deus, proclamaram um jejum e se vestiram de pano de saco, pequenos e grandes” (Jn 3,4-5). Quarenta dias são um prazo, não para antecipar a angústia diante do inevitável, mas para provocar uma reação que o evite. Os ninivitas entenderam bem a profecia de Jonas. Mudança radical de atitude e de situação.  Repitamos a ideia – “provocar uma reação, uma ocasião”.

Jesus retirou-se ao deserto para ser posto à prova do diabo, o que divide: “Jejuou quarenta dias e quarenta noites, e no fim sentiu fome” (Mt 4,2). As tentações de Jesus, também chamadas “provações” lhe põe à prova repetidas vezes no deserto. Jesus supera todas as provas do tentador porque o seu projeto é o projeto do Pai, Ele veio para cumprir o desejo do Pai. Uma boa notícia: Jesus em nosso nome e para a nossa salvação, sofreu as tentações e venceu o tentador. Em Cristo e por Cristo temos as condições de vencer as tentações que nos afligem neste tempo de coronavírus. O homem, orgulhoso de sua ciência e de suas conquistas tecnológicas em todos os campos, prostra-se de joelhos diante de um ser ultramicroscópico, que põe toda a humanidade temerosa. O que podemos aprender dos tempos hodiernos? Uma coisa dever ser dita: excedemos na liberdade. Os excessos humanos se sobressaem em todas as dimensões da vida.

Quaresma 2020

O Papa Francisco em 2015 profeticamente: “Quaresma é tempo favorável para sairmos de nossa alienação existencial causada pelo pecado”. A Igreja nos recorda que o tempo favorável poderá ser vivido/assumido a partir de três práticas concretas: jejum, oração e esmola (caridade). O jejum ajuda a esvaziar-se, abrir-se ao outro. No vazio de nós mesmos, somos fecundados pela gratuidade da vida. A oração, diálogo de amor, de amizade, é aproximação, nova revelação, exposição; ocasião em que somos tocados pela amorosidade de Deus. A esmola, é caridade, partilha de vida, cuidado amoroso, liberdade de entrega! A esmola é encontro com o outro, o próximo, é exercício de compromisso com o dom da vida, pois, “para o outro, o próximo é você” (cf. Manual da Campanha da Fraternidade 2020, nn. 16-17). Portanto, são 40 dias rumo à Pascoa, ao coração do ano litúrgico e da fé.

Leitura breve

“Queremos responder à pandemia do vírus com a universalidade da oração, da compaixão, da ternura”, pede o Papa Francisco. Sigamos, pois o que disse o Profeta Isaías: “Vamos, povo meu, entra em teus aposentos, em tuas casas e fecha a porta por dentro; esconde-te um breve instante enquanto passa a cólera” (Is 26,20).

Dom Edgar Ertl Bispo da Diocese de Palmas e Francisco Beltrão

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