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Teoria da virtude e da vida virtuosa para conter a corrupção social

O ser humano busca respostas sobre quem governa o mundo. Também se vale a pena ser honesto e virtuoso num mundo cheio de esperteza. O fundador da Escola Estoica, Zenão de Cício (335 - 264 a.C.), reunia-se com seus discípulos no pórtico (stoa) de Atenas, para filosofar sobre a harmonia cósmica e isso deu lugar a origem do nome da sua doutrina filosófica conhecida por estoicismo.

O estoicismo possui três períodos: o primeiro, época clássica grega (antigo); o segundo, introdução do estoicismo em Roma (médio), e o terceiro, seu desenvolvimento no Império Romano (novo). 

O primeiro período desenvolveu-se no século III a.C., com seu fundador e seus discípulos Cleantes (331-232 a.C.), Crisipo (280-205 a.C.) e outros. Naquele tempo, preocupavam-se com a lógica, a física, a metafísica e a moral. No segundo período, o pensamento estoico teve contato com a cultura romana, com a qual se fundiu muito bem. Foi representado por Panécio (180-110 a.C.) e Posidônio (135-51 a. C.). O terceiro se desenvolveu pelos representantes: Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.), Epicteto (50-125 d.C.) e Marco Aurélio (121- 180 d.C.). Eles são os propagadores do estoicismo no Ocidente, e muitos de seus escritos foram conservados.

Os estoicos consideravam a filosofia um sistema integrado pela lógica, a física e a ética. A ética estoica influenciou o pensamento ético-cristão nos primeiros séculos do cristianismo.

Na concepção ética, os princípios da harmonia e do equilíbrio são baseados pela ordem do próprio cosmo (palavra grega que significa ordem, universo, beleza e harmonia). Assim, o ser humano, como parte do cosmo, precisa orientar sua vida por tais princípios.

Segundo Zenão de Cício, o propósito do sábio consiste em viver de acordo e em total harmonia com a natureza, isto é, dominar as paixões e suportar os sofrimentos cotidianos, a fim de alcançar plena indiferença e impassibilidade perante os acontecimentos. No tocante à física, os estoicos chegaram ao princípio denominado pneuma (sopro vital), que constitui a alma do mundo. O ser humano é como uma manifestação depurada desse princípio vital.

Para os estoicos, o mundo não é governado por um deus, porque ele é deus. Aqui, portanto, estamos diante de uma doutrina panteísta (tudo é Deus), que acredita que Deus é o próprio universo. Deus está em cada uma das partes, é a soma de tudo o que existe e nada pode ser mudado. Tudo está preestabelecido e ao ser humano cabe aceitar o seu destino e se conformar com ele.

Ao homem, portanto, cabe respeitar e viver segundo a ordem divina. O ser humano precisa agir de acordo consigo mesmo, bem como ser ele mesmo, agindo conforme sua natureza racional. Sua virtude consiste na aceitação da lei moral e não em questioná-la ou se rebelar contra ela. O bem supremo é viver em concordância com a razão, vencendo todas as paixões e ser dono de si mesmo. O ideal da virtude é aceitar tudo o que lhe acontecer sem murmuração.

Assim sendo, muitos tentaram aproximar o estoicismo do cristianismo, porém entre ambos existem divergências. Pois, para os estoicos, se alcança a virtude e a máxima perfeição pela força racional (autossuficiência) até se fazer deus. Para o cristianismo, contudo, a perfeição do homem se dá pela ajuda de Deus pelo conceito da teológica cristã cognominada Kenosis (cf. 2 Cor 8,9), ou seja, pela encarnação de Jesus Cristo. Ele, pois, foi até a profundeza da miséria humana e oferece gratuitamente a comunhão com o Criador.

Não obstante, a teoria da virtude e da vida virtuosa, defendida pelos estoicos, ajudou a conter a corrupção na sociedade antiga e até hoje é uma referência pelas suas regras sobre autodomínio e comportamento social, sobretudo, em tempo de pandemia.

Fonte: Jornal Diário do Sudoeste, publicado dia 16 de setembro 2020.

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