Você sabe o que é o amor?

A expressão “amor” é muito usada principalmente pelos jovens. Mas, em qualquer ambiente, é possível ouvir alguém falando dele, sobretudo, entre os apaixonados. Mas, afinal de contas, o que é o amor? O amor existe ou é uma invenção dos seres humanos? Camões, poeta lírico português o descreve assim: “Amor é um fogo que arde sem se ver”.

Ao averiguar o sentido da palavra amor, encontramos diferentes significados para ela, tais como: Eros, ágape e filia. Essas sãos três expressões gregas para o amor. O Eros, para os gregos, é a atracação sexual, o instinto, a erotização. Ágape, para os cristãos, significa afeto, caridade, partilha, isto é, amar sem querer algo em troca, é uma verdadeira doação, entrega. Já filia, para os gregos, é amizade, afinidade, afeição. Há também o amor relacionado ao saber, ou seja, a palavra filosofia (filo é amor e sofia é sabedoria) que, por sua vez, quer dizer amor à sabedoria.

Platão (427-388 a. C.), filósofo da Grécia Antiga, no diálogo Banquete em que trata sobre a temática do amor, apresenta pelo personagem Aristofanes a história mítica do “andrógino” para explicar o que é o amor.

O mito do andrógino relata que os humanos eram de três espécies: machos, fêmeas e andróginos. Assim, eram muito fortes e ameaçavam os deuses. Então, o deus Zeus, para se prevenir, perpetuar a espécie e enfraquecer os seres humanos, separou-os em duas partes: machos e fêmeas. Desse modo, busca um encontrar a sua parte que lhe restituirá a unidade original.

Nesta procura, ambos os sexos, devido à separação, buscam completar a lacuna. O amor, portanto, nesta ótica, é esse preenchimento dessa carência.

O amor, segundo a interpretação platônica, é fruto da privação, da saudade, da ânsia do que lhe faz falta por causa da separação. Desse modo, o amor se caracteriza na busca completude.

O amor, nesse prisma filosófico platônico, é um tanto negativo, pois os seres humanos passam a vida inteira condenados pela carência e pela eterna busca de sua parte. É uma falta e procura de algo para preencher um vazio interior. Nisso muitos buscam preencher-se no mundo das drogas, consumismo exacerbado etc. fica uma visão de algo que aprisiona o ser, tolhendo sua liberdade de escolha.

Por outro lado, para os cristãos, o amor ágape é aquele que liberta e une sem constrangimento. Por isso, toda cristã, para ser coerente com Cristo, de fato, deve ser fomentadora da liberdade.

O amor filia é outro significado importante que não se pode descartar, mediante a concorrência acerbada em detrimento da amizade, da confiança e dos bons relacionamentos familiares e sociais. E, por fim, o amor à sabedoria, pois saber provém de sabor e todo saber deve ser saboroso. No entanto, é lamentável ver a sabedoria sendo corrompida pela procura de uma “sabedoria decorada” para obter bons resultados e, posteriormente, esquecer tudo sem entender com mais profundidade e com sabor a realidade. Uma sabedoria que investe em valorização das pessoas, trazendo presente os valores do diálogo, do respeito, da escuta atenta. Esses valores estão sendo perdidos com o uso das redes sociais de modo irresponsável, provocando, assim, uma cultura de ódio e polarização, sobretudo, entre os cristãos. Isso, pois, faz lembrar o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021: “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor.”

Mas, afinal de contas, o que é o amor? 

*Por padre Judinei Vanzeto, jornalista, diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti, gestor da Unilasalle/Fapas Polo Coronel Vivida e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida-PR.

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